A corrida eleitoral de 2026 se anuncia árdua para diversos parlamentares que enxergam um ambiente pouco favorável à recondução aos cargos.
Entre os que enfrentam maiores obstáculos está o deputado federal Reginaldo Veras (PV-DF), que tenta renovar o mandato pela federação Brasil da Esperança, composta por PV, PT e PCdoB.
Criada para as eleições de 2022, a federação deve ser mantida no pleito deste ano, segundo indicam as articulações partidárias em andamento. O que antes funcionou como alavanca eleitoral, porém, agora se converte em motivo de apreensão para Veras. As disputas internas e, sobretudo, a falta de um nome com grande capacidade de transferência de votos tornam o caminho significativamente mais estreito.
Na eleição anterior, a deputada Erika Kokay (PT), então em seu quarto mandato, foi o principal destaque da chapa. Com aproximadamente 146 mil votos, exerceu papel decisivo ao impulsionar outros candidatos da federação. Reginaldo Veras, professor por formação e conhecido também pelas performances nas redes sociais, alcançou 54 mil votos, beneficiando-se diretamente do efeito puxador gerado por Kokay e por outros nomes considerados “escadas” eleitorais, como Roberto Policarpo (31 mil votos), Ruth Venceremos (22 mil) e Vanessa é o Bicho (10 mil).
Para 2026, o cenário mudou de forma substancial. Erika Kokay, uma das principais lideranças da esquerda no Distrito Federal, confirmou sua pré-candidatura ao Senado pelo PT, decisão aprovada por unanimidade pela executiva regional da legenda em fevereiro de 2025. Com isso, a federação perde sua principal força eleitoral na disputa por cadeiras na Câmara dos Deputados.
Pesquisas recentes evidenciam o peso dessa ausência. Levantamento do instituto Paraná Pesquisas, realizado em agosto de 2025, aponta Kokay com 23% das intenções de voto para o Senado, atrás do governador Ibaneis Rocha (36%) e de Michelle Bolsonaro (36%). Outro estudo, do instituto Real Time, registra a petista com 17%.
Sem Kokay na disputa proporcional, abre-se um vácuo de liderança dentro da federação. Algumas tentativas de ocupar esse espaço já surgem, como a pré-candidatura de Rosilene Corrêa, ex-presidente do Sindicato dos Professores do DF, lançada pelo PT em setembro de 2025. Em 2022, Rosilene obteve expressivos 356 mil votos na corrida ao Senado, mas é improvável que repita desempenho semelhante em uma eleição proporcional, marcada por maior fragmentação do eleitorado.
Ainda assim, o cenário pode se inverter: a professora tem chances de se eleger, enquanto o professor pode ficar pelo caminho. Veras corre o risco de se tornar o novo “bucha de canhão” da chapa. Rosilene, inclusive, deve herdar o número 1313 — antes associado a Kokay — considerado um trunfo eleitoral.
Outros nomes da federação também não trazem segurança ao projeto de reeleição de Veras. O ex-governador Agnelo Queiroz (PT), que comandou o DF entre 2011 e 2014, volta a ter seu nome ventilado para a Câmara. Em 2022, no entanto, foi considerado inapto pela Justiça Eleitoral e obteve apenas 5 mil votos, resultado que pesa contra suas novas pretensões.
Já Geraldo Magela, figura histórica do PT, está fora de mandatos eletivos há 16 anos e tenta retornar ao Congresso, mas sem o mesmo vigor eleitoral de outros tempos.
Diante de um quadro frágil e pouco animador, Reginaldo Veras vê aumentar o risco de “dançar” — inclusive no sentido figurado e literal que marcou sua imagem pública — caso não ajuste sua estratégia de campanha. Nos bastidores, crescem rumores de que o deputado avalia uma possível migração para o Solidariedade, partido do senador José Antonio Reguffe (DF), durante a janela partidária prevista para abril de 2026.
Uma eventual mudança poderia lhe garantir uma chapa mais autônoma e menos sujeita às disputas internas da federação Brasil da Esperança. Caso permaneça onde está, o “dançarino do TikTok” pode acabar sem ritmo, sem música e fora da Câmara na próxima legislatura.
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