O ex-governador José Roberto Arruda, atualmente inelegível, tem utilizado suas redes sociais para rotular a atual gestão do Distrito Federal como “governo Master”.
A estratégia é evidente: associar a governadora Celina Leão (PP) ao escândalo financeiro envolvendo o antigo Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro.
O episódio ficou marcado pela comercialização de ativos problemáticos a diversas instituições, entre elas o Banco de Brasília (BRB).
À frente do governo há poucos dias, Celina determinou o afastamento de funcionários do BRB que estejam sob suspeita de participação no esquema que gerou prejuízos à instituição.
“Quem tiver responsabilidade que responda por isso”, afirmou a governadora, ao reforçar sua postura diante do caso.
Ainda assim, adversários políticos seguem tentando desgastar sua imagem, mesmo com o bom desempenho da governadora nas pesquisas de intenção de voto para o Palácio do Buriti.
O que Arruda não menciona é que ele próprio possui conexões indiretas com o caso. Sua ex-esposa, a ex-deputada Flávia Arruda (atualmente Flávia Peres), é casada com o banqueiro Augusto Lima, que já ocupou o cargo de CEO do Banco Master e foi sócio de Daniel Vorcaro.
Informações da Receita Federal indicam que o Banco Master declarou repasses de R$ 457,2 mil ao Instituto Terra Firme, organização presidida por Flávia. Além disso, entre 2022 e 2025, a instituição transferiu R$ 264 milhões à empresa Terra Firme da Bahia Ltda., ligada a Augusto Lima e atuante no setor de crédito consignado.
Arruda também omite que, caso o escândalo não tivesse vindo à tona, sua ex-esposa poderia disputar uma vaga como deputada federal pelo Distrito Federal, possivelmente pelo mesmo partido dele, o PSD.
Diante desse contexto, as críticas feitas por Arruda acabam retornando ao seu próprio entorno político. Vale lembrar que ele permanece inelegível por decisão da Justiça.
Como registro adicional, a 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou recurso apresentado por Arruda, mantendo sua condenação por improbidade administrativa no âmbito da Operação Caixa de Pandora, investigação que revelou um esquema de corrupção em seu governo, em 2009 — episódio que resultou em sua prisão, tornando-o o primeiro governador a ser preso no Brasil.
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