Diferentemente da maioria das formações urbanas, a cidade não se fez a partir da povoação: foi construída antes e, aos poucos, virou uma referência
Nesse mundão onde globalizar muitas vezes significa uniformizar em excesso, Brasília se distingue, de longe, como uma cidade que não se parece com nenhuma outra. Eis aqui um dos destaques estruturais de nosso quadradinho: diferentemente de outras cidades, que foram se formando à medida que a população se expandia, Brasília teve a sede todinha construída para que, pouco a pouco, as pessoas aqui se instalassem.
Ao longo desses 66 anos, claro, muita coisa mudou no recheio e no contorno da capital federal. Cerca de três décadas atrás, quando cheguei aqui sem conhecer nada, ainda era possível ver, da janela da aeronave que me trazia, o desenho do avião com suas asas e eixos demarcando o Plano Piloto. Com o passar do tempo, esse visual foi se modificando, trazendo multiplicidade ao que atualmente se descortina ao redor. É, Brasília cresceu.
E cresceu tanto que, hoje, somos 2,8 milhões de almas a compor a terceira cidade mais populosa do Brasil. Foi-se o tempo em que Brasília era uma capital com espaço sobrando nas pistas, pelas quais os carros circulavam com os números marcando centenas na área do odômetro, já que nem semáforos havia — era desnecessário sinalizar um traçado tão bem-feito.Vieram as leis de trânsito para proteger nossas vidas, a velocidade passou a ser controlada e a gente foi aprendendo a se mover dentro de um padrão básico de civilidade.
Como ocorre com a maioria das cidades, o tempo trouxe várias mudanças a Brasília. Mas ainda somos privilegiados por respirar um ar não poluído, contar com o imenso espaço verde do Parque da Cidade em pleno ambiente urbano, poder circular de Zebrinha pelas vias mais estreitas, usar as tesourinhas para fazer retorno, atravessar pela faixa de pedestre sem medo e, de quebra, conseguir enxergar logo acima de nossas cabeças todo o céu que nos protege.
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