Inaugurado em 1975, o maior estádio de Goiás vai passar por uma revitalização. O projeto para a nova fase do Serra Dourada foi apresentado na Casa da Indústria quinta-feira (21/5), durante o evento Serra Dourada: O Futuro da Arena Multiuso em Goiás.
Promovido pelo Conselho Temático de Infraestrutura (Coinfra) da Fieg, o encontro reuniu conselheiros do colegiado, empresários e profissionais do setor para um diálogo com a head comercial e marketing do Complexo Serra Dourada, Kika Branco, e o superintendente operacional, Diogo Bertarini.
A empresa pertence ao grupo Construcap, que venceu a concessão do espaço goiano por 35 anos. Com um investimento superior a R$ 300 milhões, o Complexo Serra Dourada vai receber a revitalização no estádio e a remodelação de um novo ginásio, além da criação de espaço poliesportivo, parque e pista de bicicleta e corrida. O grupo é responsável pela reforma e operação de diversos empreendimentos brasileiros, como o estádio Mineirão e o parque Ibirapuera.
| Vista aérea projetada para após reformas do espaço. Fonte: Complexo Serra Dourada. |
O presidente do Coinfra, Célio Eustáquio de Moura, destacou a importância de estabelecer um ambiente de diálogo propício a colaborações. “Conhecer as mudanças que vão acontecer com o Serra Dourada permite que o empresário esteja por dentro de oportunidades de negócio, conectando novos empreendimentos com a indústria local, abrindo espaço para conversas e parcerias com o setor produtivo goiano.”
“Estamos aqui não só para apresentar o projeto, mas para procurar parcerias locais”, disse, por sua vez, Diogo Bertarini. Kika Branco reforçou ainda que “todo o projeto é pensado para trazer a essência de Goiás e encontros como esse abrem portas para negócios com quem faz a cidade”.
Detalhes do projeto
Com uma reforma centrada na experiência do usuário, acessibilidade e conforto são partes do projeto. Segundo Kika, a ideia é remodelar o estádio, mas manter a essência goiana. A única coisa prevista para demolição é a arquibancada geral, atualmente inutilizada, para expansão da arquibancada inferior.
Os camarotes são um dos principais atrativos da remodelação. Ao todo, 66 estão planejados, sendo 22 camarotes previstos em edital, na linha do gramado, e 44 eletivos na parte superior.
| Projeto recebe 66 arquibancadas, com distribuição com vista superior e na linha do campo. Fonte: Complexo Serra Dourada. |
O projeto também inclui a requalificação do anel de circulação com inserção de bares, restaurantes e espaço multiuso. Salões de evento e espaço para coworking também são cotados. Com as mudanças, a estimativa é de aumentar a capacidade de público para 44 mil em jogos e 60 mil em shows e eventos.
Quanto ao gramado, preocupação recorrente de times e fãs de esporte, Bertarini explicou que será mantido como natural. “Já sabemos operar shows e eventos com o gramado esportivo”, despreocupou o superintendente.
| Vista projetada para o campo dos camarotes superiores. Fonte: Complexo Serra Dourada. |
Segundo ele, expandir e manter a área operacional em torno de 2 mil metros quadrados garante a segurança do complexo em termos legais e operacionais.
“Nossa ideia é transformar o Serra Dourada em parte do cotidiano da população, não apenas em um ambiente para 90 minutos de jogo ou momentos em shows”, destacou Kika.
Bertarini reforçou que, apesar das mudanças e da concessão, o espaço continua como um patrimônio goiano. “O Serra Dourada segue como patrimônio público e do povo, mas com um investimento de empresa com capital privado, com expertise para administração”.
O complexo
O estádio não é o único a ser beneficiado – o Ginásio Goiânia Arena também é alvo das mudanças. O espaço está cotado para ter a fachada reformada e a inclusão de camarotes internos.
O projeto inclui a criação de um complexo poliesportivo com campos de futebol e quadras, parque linear com pista de corrida e bicicleta ao ar livre, com foco na geração de um fluxo diário de público no Serra. O paisagismo também é pensado para circular toda a área do complexo e o plano é implementar espécies nativas e características do Cerrado.
| Detalhes do projeto do complexo poliesportivo. Paisagismo está planejado para incluir flora nativa do Cerrado. Fonte: Complexo Serra Dourada. |
“A ideia é que você vá para o Serra Dourada para aproveitar um momento de entretenimento e lazer, vivendo uma verdadeira experiência de bem-estar”, reforçou Kika.
Hotelaria
Incluído no plano original do Serra Dourada, a implementação de suítes de hotel com vista para o campo faz parte da discussão da revitalização, mas ainda não está confirmada no projeto.
Os representantes da Construcap abordaram também a possibilidade de hotéis fora do estádio, mas dentro do complexo. “Nossa ideia é que nada da possível área imobiliária passe da altura do estádio, que é o grande protagonista do complexo”, disse Kika.
Próximos passos
A empresa tem dois anos para entregar tudo o que está previsto no edital, mas o que é pensado pode ser construído nos próximos 35 anos de concessão. O cronograma começa logo após o encerramento das atividades do Complexo, com o Arraiá do Bem. O estádio vai ser o primeiro a receber as obras, que vão ocorrer em fases e não proíbe novos eventos no complexo como um todo.
“É possível fazer eventos simultâneos. O diferencial do complexo é o grande potencial com a área, que vai além do estádio e integra o ginásio e um grande estacionamento, que permitem eventos com montagem e desmontagem acontecendo de forma paralela”, destacou Bertarini.
A discussão após a apresentação do projeto levantou o pensamento sobre novas tecnologias de energias renováveis e fotovoltaicas, e a empresa se mostrou aberta ao diálogo com empresários do ramo. Data centers também fizeram parte do debate, e Bertarini afirmou que eles vão fazer parte do plano futuro da empresa para implantação no complexo.
A reunião foi acompanhada ainda pelos presidentes Anastacios Apostolos Dagios (Comdefesa) e Sarkis Nabi Curi (CIC).
.gif)