As operações que chegam cada vez mais perto do núcleo duro do partido e do próprio governo de Luiz Inácio Lula da Silva provocam um silêncio constrangedor entre os petistas.
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), foi arrastado para o olho do furacão do maior roubo do sistema financeiro do país, comandado por Daniel Vorcaro, do ex-Banco Master, e foi o alvo da mais recente operação da Polícia Federal, deflagrada nesta quinta-feira (18).
Uma penca de petistas baianos também acordou com o tradicional “toc, toc” da PF. Na casa de Wagner, mais de 40 mil dólares em espécie, relógios de luxo e bens imóveis foram apreendidos e bloqueados por ordem do ministro André Mendonça, do STF.
O presidente Lula ligou mais de uma vez para Jaques Wagner, que, mesmo atolado na história, vai continuar como líder do governo.
O movimento revela preocupação no alto escalão petista, que tenta a reeleição de Lula à Presidência da República. O mesmo fenômeno ocorre no Distrito Federal.
Quando o escândalo financeiro envolvendo Daniel Vorcaro explodiu, expondo o risco de falência do BRB, o PT-DF chegou a defender a instalação de uma CPI.
Agora, com a PF mirando figurões do partido no que já é considerado a maior roubalheira da história do sistema financeiro brasileiro, o oba-oba petista deu lugar ao silêncio absoluto.
O que antes servia de munição contra adversários deixou de ser discurso prioritário.
O insosso candidato ao Buriti, Leandro Grass, que antes apontava o dedo para os outros, calou-se em suas redes sociais diante das investigações federais que recaem sobre quadros importantes da própria legenda.
A mudez estratégica revela o desconforto de quem, acostumado a cobrar transparência alheia, agora prefere não se olhar no próprio espelho.
A proximidade das urnas e o cerco da PF ao coração do petismo transformam o discurso inflamado em silêncio conveniente.

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