Já participei da construção de candidaturas praticamente do zero.
É uma fórmula conhecida no meio político: escolhe-se um nome com recursos ou tradição familiar, encomenda-se pesquisas para identificar pautas de maior apelo, cria-se uma imagem pública, treinam-se frases de efeito e produzem-se cenas planejadas para transmitir proximidade popular. Em poucos meses, o candidato aparece em entrevistas e transmissões como se tivesse uma longa trajetória de governo. Às vezes dá certo e até resulta em vitória nas urnas. Mas há um limite que dinheiro nenhum resolve: esse perfil não foi colocado à prova antes de pedir o voto mais importante.
Foi com esse olhar que cheguei a Ceilândia, neste sábado (18). Mais do que medir o tamanho do público, formado por milhares de pessoas, quis entender se havia uma razão concreta para aquela mobilização.
Quando avalio a consistência de uma pré-candidatura, não me atenho apenas ao discurso do evento. Observo a trajetória construída ao longo dos anos. Um discurso pode ser elaborado rapidamente; uma história pública, não.
No caso de Celina Leão, o percurso é conhecido, verificável e amplamente reconhecido: foi secretária de Estado, exerceu dois mandatos como deputada distrital, presidiu a Câmara Legislativa, foi deputada federal, vice-governadora e agora ocupa o cargo de governadora do Distrito Federal. Não se trata apenas de uma sequência de funções. Cada etapa representou uma nova validação, seja pela população, seja pelas instituições.
É diferente da chamada candidatura de laboratório: aquela criada para uma eleição específica, sem experiência eleitoral ou administrativa anterior. Esse modelo precisa se sustentar em publicidade, consultorias e pesquisas caras porque não dispõe de uma trajetória consolidada. Retire-se a campanha, e pouco permanece.
Com Celina, o cenário é outro. Antes da atual disputa, houve uma passagem pela Secretaria de Estado, dois mandatos conquistados na Câmara Legislativa, uma eleição para a Câmara dos Deputados — com votação em todo o DF — e a vitória como vice-governadora. Hoje, à frente do GDF, ela é avaliada diariamente pelas decisões de governo, pelas obras e pelas respostas dadas às demandas da população.
Esse é um ponto que muitas vezes passa despercebido: um ato de pré-campanha de quem tem trajetória não serve para fabricar uma imagem. Serve para confirmar uma reputação que já existia antes do palco e dos discursos. Foi essa a impressão deixada pelo encontro em Ceilândia.
Celina apresentou Gustavo Rocha, ex-chefe da Casa Civil, como pré-candidato a vice-governador, destacando seu papel na estabilidade da gestão. O evento também contou com a presença de Bia Kicis e Damares Alves, além da composição de uma aliança com 12 partidos, cuja convenção está prevista para 2 de agosto.
Durante a fala, Celina também abordou os desafios da saúde pública do Distrito Federal. “Nós temos problema, sim, mas problema a gente não esconde, a gente enfrenta”, afirmou. Em seguida, citou investimentos de R$ 100 milhões em hospitais, 30 frentes de reforma no Hospital Regional de Ceilândia, a construção de oito UPAs e três hospitais, além de mais de 300 ordens de serviço emitidas pelo programa GDF na Sua Porta em pouco mais de três meses de gestão definitiva.
Já vi candidaturas montadas em estúdio conseguirem lotar um espaço no lançamento, com transporte organizado e material distribuído. O que raramente acontece é manter essa mobilização espontânea, em um sábado pela manhã, sem depender de artifícios.
Para quem já está no governo, existe ainda outro teste: pedir a reeleição enquanto a administração está em andamento e ser avaliado não por promessas, mas por entregas concretas. Em Ceilândia, Celina Leão demonstrou que superou esse desafio. Resta saber quem, até outubro, conseguirá reunir a mesma força popular nas ruas.
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