Paula Belmonte promete priorizar saúde, mas concentrou emendas em cultura e turismo

 A pré-candidata ao Governo do Distrito Federal Paula Belmonte (PSDB) colocou a saúde pública no centro de sua pré-campanha.

Ao defender uma auditoria nas contas da Secretaria de Saúde e afirmar que o setor seria prioridade máxima em uma eventual gestão, a deputada busca se posicionar como uma voz para o debate sobre a crise na rede pública.

A proposta é válida. No entanto, as escolhas feitas durante seu mandato também devem ser consideradas nessa discussão.

Dados do Sistema de Controle de Emendas Parlamentares (Sisconep) indicam que a saúde não esteve entre as principais destinações de recursos da parlamentar, mesmo sendo uma área que poderia receber reforços por meio de emendas.

De acordo com planilhas referentes a 2023, 2024, 2025 e 2026, Paula Belmonte destinou cerca de R$ 1,8 milhão para ações de saúde pública no Distrito Federal.

No mesmo período, os valores direcionados a iniciativas de cultura e turismo somaram aproximadamente R$ 10,7 milhões — quase seis vezes mais que os recursos reservados à saúde.

Valores destinados:

  • Cultura: R$ 9.713.742,00
  • Turismo: R$ 1.005.000,00
  • Total: R$ 10.718.742,00

Os dados não retiram a relevância da cultura e do turismo, áreas que também merecem atenção do poder público. Ainda assim, permitem comparar, de forma objetiva, o discurso atual da pré-candidata com as prioridades orçamentárias adotadas ao longo do mandato.

É evidente que emendas parlamentares, sozinhas, não resolvem os problemas estruturais da saúde pública, no DF e no restante do país. Mas elas são um instrumento direto para apoiar hospitais, adquirir equipamentos, ampliar programas e melhorar o atendimento à população.

Ao apresentar a saúde como principal compromisso de campanha, Paula Belmonte deverá explicar por que, em quase quatro anos de mandato, direcionou uma parcela reduzida das emendas impositivas justamente para a área que agora classifica como prioridade absoluta.

Na política, promessas têm peso. Mas as decisões tomadas e os recursos efetivamente destinados também ajudam o eleitor a avaliar a distância — ou a coerência — entre discurso e prática.

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