Governadora
postou vídeo nas redes sociais após idosa de 95 anos ser feita refém
por homem em situação de rua na Asa Sul, nesta terça (11/8)
A governadora do Distrito
Federal, Celina Leão (PP), voltou a defender nesta terça-feira (11/8) a
regulamentação da internação involuntária e humanizada de pessoas em
situação de rua após o caso do homem que invadiu apartamentos na 302 Sul e fez uma idosa de 95 anos refém durante a madrugada. O
suspeito foi morto por policiais militares durante a ocorrência, após
ameaçar moradores e manter a vítima sob ameaça com uma faca.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Celina parabenizou a atuação da
Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) na ocorrência da Asa Sul e
afirmou que enviou à Câmara Legislativa um projeto para regulamentar a
internação involuntária e humanizada. Segundo a governadora, a proposta
busca enfrentar o problema da população em situação de rua com medidas
de assistência social e segurança pública.
“A população em situação de rua precisa de acolhimento, assistência
social e atendimento de saúde. Mas também precisamos proteger as
famílias e garantir segurança e tranquilidade nos espaços públicos”,
declarou.
A governadora disse que o GDF continuará oferecendo acolhimento,
atendimento na rede pública e encaminhamento para a rede de assistência
social, mas afirmou que o governo adotará medidas para enfrentar a
situação nas ruas.
“O que não dá é
para deixar do jeito que está. Enquanto eu estiver no governo, nós vamos
responder à altura do que a população do DF nos pede. Tem que ter
coragem para enfrentar esse tema com a dignidade que ele merece, mas
também protegendo a população que se sente refém dessa situação todos os
dias”, afirmou.
Invasão e sequestro
O episódio citado pela governadora ocorreu na madrugada desta
terça-feira (11/8), quando Bruno Batista de Jesus, de 30 anos, invadiu
um prédio no Bloco J da 302 Sul. Ele quebrou o vidro da portaria com o próprio corpo e invadiu apartamentos em diferentes andares do edifício.
De acordo com testemunhas, o suspeito utilizou um extintor para bater
nas portas e ameaçar moradores. Em um dos apartamentos, entrou em luta
corporal com um morador que estava com a esposa e as filhas. Durante o
confronto, lançou o pó do extintor contra o morador e deixou um rastro
de sangue por diversos andares do prédio.
Após a invasão, o homem conseguiu roubar uma faca em um apartamento
no 6º andar e desceu para outro pavimento, onde invadiu um imóvel e fez uma idosa de 95 anos refém. A Polícia Militar foi acionada por moradores que acordaram com gritos e barulho de objetos sendo quebrados.
Segundo a PMDF, diante da gravidade da ocorrência e do fato de a
vítima estar sob ameaça com uma faca, os policiais efetuaram disparos
para conter o agressor e preservar a integridade física da idosa. O
homem foi atingido, recebeu atendimento do Corpo de Bombeiros, mas teve a
morte constatada no local por volta das 3h07.
Sequência de ocorrências
A declaração da governadora ocorre em meio a uma sequência de
ocorrências envolvendo pessoas em situação de rua no Distrito Federal.
Nos últimos meses, casos de agressões, ataques e crimes graves ganharam
repercussão.
Entre os episódios recentes estão:
- 7 de agosto:
um zelador de 53 anos foi espancado com um pedaço de madeira na área
comercial da 314 Norte. O agressor teria discutido com a vítima horas
antes e voltou ao prédio durante a madrugada para atacá-la. O homem
sofreu traumatismo craniano e foi internado em estado gravíssimo no
Hospital de Base.
- 3 de agosto:
uma mulher de 21 anos foi atacada pelas costas em uma parada de ônibus
na Asa Sul, quando seguia para o trabalho. O suspeito foi preso, mas
permaneceu apenas cerca de duas horas na delegacia, onde assinou um
Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e foi liberado.
- 31 de julho:
um homem em situação de rua foi preso suspeito de atear fogo em outro
homem na Quadra 310 da Asa Sul. Segundo a Polícia Civil, a tentativa de
homicídio teria sido motivada por desavenças anteriores entre os dois.
- 28 de julho:
um jovem de 18 anos teve os óculos estourados no rosto após levar um
soco de um homem em situação de rua, em Águas Claras. De acordo com a
família da vítima, ele caminhava pela região quando foi atacado sem
qualquer motivo.
- 30 de junho:
um morador de rua de 42 anos foi preso após estuprar duas jovens, de 20
e 21 anos, em Sobradinho. As vítimas retornavam do trabalho quando
foram abordadas pelo criminoso, que portava uma faca e as levou até um
terreno baldio, onde foram violentadas sexualmente.
- 8 de março: em
Ceilândia, um policial militar foi esfaqueado durante uma ocorrência,
no Setor O. Segundo a PMDF, equipes atendiam a um chamado de um homem em
situação de rua portando faca e ameançando pessoas quando abordaram o
autor. Inicialmente, ele colaborou com a ação. No entanto, quando um
sargento tentou algemá-lo, o suspeito reagiu e desferiu uma facada
contra o policial.
- 5 de fevereiro: uma
confusão entre dois homens em situação de rua terminou em violência na
716 Norte. Um homem de 51 anos foi preso em flagrante após atacar outro
indivíduo, de 47, com golpes de faca no pescoço e na cintura.
- 27 de dezembro de 2025:
um morador de rua invadiu uma residência, em Vicente Pires (DF), e
torturou até a morte o dono da casa. O criminoso entrou na residência
por volta das 2h. Ao perceber a invasão, a vítima tentou reagir, mas
sofreu diversas lesões corporais. Ela foi encaminhada ao hospital, mas
não resistiu aos ferimentos e morreu.
- 20 de dezembro de 2025: uma
mulher foi estuprada e brutalmente espancada durante 15 minutos, na Asa
Norte, por um homem em situação de rua. A vítima reagiu, inicialmente,
mas levou diversos socos na cabeça. Na época do crime, a mulher foi
socorrida em estado gravíssimo.