Liderança cristã surge como alternativa em articulação para ampliar composição partidária das candidaturas ao Senado; cientista político alerta para lições da eleição de 2022 e defende espaço também para o Podemos

Foto: Pedro Santos.
O nome do líder cristão Fadi Faraj passou a ser cotado nos bastidores do MDB do Distrito Federal para ocupar a primeira suplência ao Senado em uma eventual recomposição das chapas de Bia Kicis (PL) ou Michelle Bolsonaro (PL).
As duas foram oficializadas pelo PL como candidatas às vagas do Distrito Federal no Senado nas eleições de 2026. Atualmente, as composições divulgadas apontam Diego Torres, irmão de Michelle, como primeiro suplente da ex-primeira-dama, e Samuel Kicis, filho de Bia, como primeiro suplente da deputada federal. O prazo para o registro das candidaturas na Justiça Eleitoral termina em 15 de agosto, mantendo aberta a possibilidade de ajustes nas composições até a formalização definitiva das chapas.
A eventual indicação de Faraj é vista como uma alternativa para ampliar a composição partidária em torno das candidaturas ao Senado e garantir ao MDB-DF participação mais efetiva na chapa majoritária.
O partido é presidido no Distrito Federal pelo deputado distrital e presidente da Câmara Legislativa, Wellington Luiz, reconduzido ao comando regional da legenda.
Fadi afirma que está à disposição da direção partidária e que aceitará a missão caso seu nome seja escolhido. “Sou um homem de partido e estou à disposição do MDB para contribuir onde for necessário. Se o presidente Wellington Luiz entender que o meu nome pode ajudar nessa construção e decidir pela indicação, estarei pronto para cumprir essa missão com responsabilidade, defendendo os valores nos quais acredito: a vida, a família, a liberdade e o desenvolvimento do Distrito Federal”, afirma Fadi Faraj.
Cristão, conservador e identificado com a defesa da vida, da família, da liberdade e de valores patrióticos, Faraj possui uma trajetória que une atuação religiosa, formação de lideranças e participação na vida pública.
Ao lado de Lígia Faraj, com quem é casado há mais de 30 anos, conduz a presidência do Ministério da Fé. Pai e avô, construiu ao longo das últimas décadas uma família marcada pela atuação cristã e pela transmissão de valores às novas gerações.
Bacharel em Teologia, Fadi Faraj possui certificação pela Harvard University no curso Exercising Leadership: Foundational Principles. É também criador de método próprio de mentoreamento, especialista em Gestão de Pessoas, intérprete, palestrante internacional e influenciador digital. Há mais de três décadas, dedica-se à capacitação profissional e à formação de lideranças.
A experiência eleitoral também aparece entre os argumentos utilizados por interlocutores que defendem sua participação na chapa. Faraj já disputou eleições no Distrito Federal e possui histórico de atuação política associado principalmente ao eleitorado cristão e conservador.
O deputado federal Rafael Prudente (MDB-DF) avalia que Fadi Faraj reúne atributos políticos e pessoais capazes de fortalecer uma composição majoritária. “Fadi é uma liderança respeitada, tem uma história construída em Brasília, experiência política, capacidade de diálogo e uma presença muito forte junto ao segmento cristão. É um nome que agrega e que pode contribuir muito para qualquer composição política que tenha como objetivo trabalhar pelo Distrito Federal”, afirma Rafael Prudente.
Para o ex-deputado distrital Rodrigo Delmasso, o perfil de Fadi permitiria uma composição tanto com Bia Kicis quanto com Michelle Bolsonaro e, ao mesmo tempo, fortaleceria a participação do MDB na aliança. “Fadi tem o perfil para ser primeiro suplente tanto de Bia Kicis quanto de Michelle Bolsonaro. É conservador, cristão, conhece Brasília e possui experiência política. Além de fortalecer a chapa, a indicação dele permitiria ampliar a participação do MDB nessa composição, reunindo forças políticas que compartilham valores e projetos importantes para o Distrito Federal”, afirma Rodrigo Delmasso.
Paulo Melo alerta para erro estratégico na composição das chapas
O jornalista e cientista político Paulo Melo avalia que as candidaturas de Bia Kicis e Michelle Bolsonaro precisam observar as lições deixadas pela disputa ao Senado no Distrito Federal em 2022. Para ele, as suplências não devem ser vistas apenas como escolhas pessoais, mas como espaços estratégicos para ampliar alianças e incorporar forças políticas à campanha.
“Bia Kicis e Michelle Bolsonaro precisam olhar com muita atenção para a experiência de 2022. Na minha avaliação, não podem cometer o mesmo erro estratégico que contribuiu para a derrota de Flávia Arruda: deixar de utilizar todos os espaços da chapa, inclusive as suplências, para ampliar a composição política. Eleição majoritária não se constrói apenas com nomes fortes. É preciso agregar partidos, lideranças, bases eleitorais e diferentes segmentos da sociedade”, afirma Paulo Melo.
Na avaliação do cientista político, a escolha de Fadi Faraj poderia servir justamente como instrumento para consolidar a participação do MDB na aliança. “Fadi Faraj é um nome que pode agregar o MDB de maneira ainda mais efetiva à construção. É cristão, conservador, possui experiência eleitoral, diálogo com diferentes setores e presença junto a um segmento importante da sociedade. Uma eventual indicação não deveria ser analisada apenas pelo nome do suplente, mas pelo que ela representa politicamente para a composição da chapa”, avalia.
Paulo Melo defende ainda que a outra suplência seja utilizada para ampliar a aliança, citando o Podemos como uma legenda com força política suficiente para reivindicar participação. “Existe ainda outra suplência e o Podemos tem tamanho político para participar dessa composição. Se é possível reunir MDB, Podemos e outras forças que tenham convergência com esse projeto, isso precisa estar na mesa. O que não se pode é desperdiçar politicamente as suplências. São espaços que podem trazer partidos, lideranças, estrutura e votos para uma eleição extremamente competitiva”, diz Paulo Melo.
Para o cientista político, a experiência eleitoral de 2022 demonstra a importância de uma engenharia política mais ampla na disputa pelo Senado. “A grande lição é que chapa majoritária precisa ser construída para somar. Cada espaço deve ter uma função política. Se Bia e Michelle já são dois nomes eleitoralmente muito fortes, a inteligência agora está em utilizar as suplências para ampliar a aliança. É nesse contexto que nomes como Fadi Faraj e a participação de partidos como MDB e Podemos passam a fazer sentido estratégico”, conclui.
Nos bastidores, a discussão ocorre em um momento decisivo para a montagem definitiva das chapas. Michelle Bolsonaro e Bia Kicis já foram oficializadas pelo PL para disputar as duas vagas ao Senado pelo Distrito Federal, mas as composições precisam ser formalizadas perante a Justiça Eleitoral até o prazo legal.
Até que qualquer mudança seja oficialmente registrada, permanecem como referências divulgadas para as primeiras suplências Diego Torres na chapa de Michelle Bolsonaro e Samuel Kicis na chapa de Bia Kicis.
.gif)