Arruda propõe reestruturação do BRB, agência de desenvolvimento e expansão do metrô no DF

Candidato do PSD apresentou propostas para crédito, mobilidade, regularização fundiária e revitalização urbana em sabatina com representantes do setor produtivo


O candidato ao Governo do Distrito Federal José Roberto Arruda (PSD) defendeu uma reformulação da política de desenvolvimento econômico do DF, com mudanças no Banco de Brasília (BRB), criação de uma agência de desenvolvimento e grandes intervenções na infraestrutura de transporte.

Durante o Diálogos com o Setor Produtivo, Arruda afirmou que o BRB deve priorizar Brasília e recuperar sua função de banco voltado ao financiamento da economia local.

“O BRB tem essa função e precisa fazer”, declarou. O candidato propôs reduzir a presença da instituição fora do Distrito Federal e concentrar esforços no mercado brasiliense. Também sugeriu destinar parte das renúncias tributárias concedidas a grandes empresas ao financiamento de pequenos e médios empresários.

A discussão sobre economia criativa trouxe ao debate a recuperação do Setor Comercial Sul. O presidente da Fecomércio-DF, José Aparecido Freire, disse que a entidade já dispõe de um projeto desenvolvido em parceria com a Universidade Católica.

“Nós temos esse projeto pronto do polo de economia criativa e tecnológico no Setor Comercial Sul”, afirmou. A proposta inclui uso misto e atividades em tempo integral. “A gente precisa de um local que tenha 24 horas”, acrescentou.

Arruda aderiu à ideia e prometeu revitalizar a região, permitindo uso misto e criando uma rua com funcionamento durante 24 horas.

Foto: Renato Alves.

BRB e pequenos empresários
O presidente da CDL-DF, Eduardo Pereira Rodrigues Neto, relatou que já procurou o BRB em busca de melhores condições de financiamento aos pequenos comerciantes.

“Eu estive lá conversando com o presidente atrás de uma linha de crédito melhor para os pequenos comerciantes, pequenos empresários”, disse.

Rodrigues Neto alertou que o enfraquecimento do comércio e da indústria compromete o futuro da economia brasiliense. “Se nós não fortalecermos o nosso varejo e a indústria aqui do Distrito Federal, o que vai acontecer com o futuro do Distrito Federal?”, questionou.

Arruda afirmou que, caso o BRB seja recuperado, a instituição deverá atuar diretamente no financiamento de micro, pequenos e médios negócios. Em outro cenário, disse, a futura agência de desenvolvimento teria que assumir parte dessa função.

“Cenário um: salvamos o BRB, facilita o jogo. Claro, é um instrumento fantástico”, afirmou.
Metrô, VLT e sistema viário

A mobilidade foi outro dos principais eixos apresentados pelo candidato. Arruda prometeu quatro novas linhas de metrô e a retomada do VLT entre o Aeroporto de Brasília e a área central.

“Eu quero fazer quatro novas linhas de metrô”, declarou. Entre os trajetos mencionados estão expansões para Gama e Santa Maria, Sol Nascente e Águas Lindas e a região norte. Também defendeu uma quarta ponte para melhorar a ligação com Jardim Botânico, São Sebastião, Paranoá e outras regiões.

O presidente da Fenatac, Paulo Afonso Lustosa, elogiou a disposição de tratar a infraestrutura em escala ampla. “Eu gostei muito da preliminar que o senhor fez, que é proibido pensar pequeno para Brasília”, disse.

Lustosa afirmou que o DF sofre com falta de planejamento de longo prazo. “Houve um apagão de inteligência, sobretudo no campo de engenharia, arquitetura e urbanismo”, declarou. Para ele, a falta de transporte público de massa também afeta diretamente o transporte de cargas.
Regularização das áreas rurais

Na regularização fundiária, Arruda apresentou proposta para reorganizar a gestão das terras de vocação rural.

O presidente da Fape-DF e representante do sistema Sebrae-DF, Fernando Cezar Ribeiro, afirmou que o problema depende sobretudo de decisão política.

“O arcabouço jurídico já está feito. O que precisa é só decisão política, é mandar fazer e ser feito”, declarou. Ele cobrou que um eventual governo conclua a regularização: “Esperamos, caso o senhor seja eleito, que tome essas providências necessárias e dê o tão sonhado título das terras.”
Agência de desenvolvimento

Arruda também propôs substituir a atual lógica da Secretaria de Desenvolvimento Econômico por uma agência mais enxuta e profissional.

“A minha ideia é criar uma agência de desenvolvimento”, afirmou. O candidato disse que pretende colocar representantes do setor produtivo na estrutura e chegou a afirmar, ao público empresarial, que a escolha da direção teria participação das entidades. “Sabe quem vai escolher o presidente dessa agência? Vocês.”
O presidente da Fibra, Jamal Jorge Bittar, disse concordar com a estrutura, mas reforçou a necessidade de protagonismo empresarial. “A importância é ser liderado pela indústria, setor produtivo”, afirmou. Para Bittar, uma economia que queira mudar seu perfil precisa necessariamente fortalecer a atividade industrial.

Arruda posteriormente fez uma ressalva: disse que a agência não seria exclusiva da indústria, mas dedicada ao desenvolvimento econômico de todos os segmentos.

“Eu não falei de uma agência de desenvolvimento da indústria, eu falei de uma agência de desenvolvimento econômico que contempla todos os setores”, esclareceu.

Trânsito e setor produtivo
O presidente da Facidf, Manoel Valdeci Machado, encerrou as intervenções destacando que as associações comerciais das regiões administrativas convivem diariamente com os problemas de mobilidade.

“A nossa federação tem uma associação comercial em cada região administrativa e sofre muito com o problema dos engarrafamentos”, afirmou.

Para Arruda, enfrentar esses gargalos exige recuperar a capacidade de planejamento urbano e abandonar intervenções de pequena escala.

A agenda apresentada pelo candidato combina, assim, investimento público em grandes obras, reorganização dos instrumentos de crédito e participação do setor privado na formulação das políticas econômicas.

Ao defender a criação da agência de desenvolvimento, Arruda resumiu a orientação que pretende dar à estrutura: “Eu quero alguém do outro lado do balcão”, disse, em referência à participação de pessoas com experiência empresarial na condução das políticas de desenvolvimento.

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