Candidato do PT defendeu economia verde e tecnológica, ampliação do transporte público e participação permanente do setor produtivo nas decisões do governo

O candidato ao Governo do Distrito Federal Leandro Grass (PT) defendeu uma estratégia de diversificação da economia brasiliense baseada em tecnologia, sustentabilidade, indústria, turismo e melhoria da infraestrutura durante o Diálogos com o Setor Produtivo.
Grass afirmou que Brasília precisa conquistar maior autonomia econômica e ampliar a geração de empregos fora da estrutura estatal. “A gente precisa de uma nova economia”, declarou. Segundo o candidato, o DF tem condições de liderar “uma agenda da economia verde, limpa, tecnológica, de bons empregos”.

Fotos: Pedro Santos.
Um dos exemplos discutidos foi a revitalização do Setor Comercial Sul. O presidente da Fecomércio-DF, José Aparecido Freire, afirmou que a entidade já possui um projeto estruturado para a região.
“O projeto está pronto. É para transformar o Setor Comercial Sul num polo de economia criativa, tecnologia e inovação”, disse. José Aparecido também defendeu a presença de residências e atividades permanentes para aumentar o movimento e a segurança. “É para fazer uma rua 24 horas”, afirmou.
Segundo Grass, turismo, economia criativa, tecnologia e recuperação urbana podem fazer parte de uma estratégia conjunta de geração de emprego.
Crédito e desenvolvimento econômico
O presidente da CDL-DF, Eduardo Pereira Rodrigues Neto, cobrou uma política mais incisiva de fortalecimento da economia local.
“Nós precisamos realmente de fato de um governo que se preocupe com desenvolvimento econômico e social”, afirmou. Na avaliação dele, Brasília perdeu parte de sua atividade industrial para estados vizinhos e não pode continuar dependente da antiga condição de “capital do concurso público”.
“Se os governadores não criarem mecanismo para de alguma forma fomentar o comércio ou o setor produtivo como um todo, o que será da nossa capital, dos nossos filhos e dos nossos netos amanhã?”, questionou.
Grass defendeu políticas de microcrédito e disse que o governo precisa funcionar como mediador para permitir que recursos cheguem aos pequenos negócios. “O pequeno sempre paga. Agora é preciso que o governo também acredite nele, aposte nele para que ele possa prosperar”, afirmou durante a discussão sobre financiamento.
Transporte de massa
Mobilidade e logística receberam atenção especial. O candidato defendeu ampliação das linhas e horários de ônibus e metrô e criticou o funcionamento reduzido do transporte sobre trilhos no período noturno.
“Não dá na capital do país o metrô fechar 11h30”, afirmou. Grass argumentou que a falta de transporte à noite prejudica trabalhadores de bares, restaurantes, comércio e turismo. A proposta, segundo ele, dependeria de investimentos públicos, privados e parcerias público-privadas.
O presidente da Fenatac, Paulo Afonso Lustosa, concordou com a necessidade de alterar a matriz de transporte. “É preciso mudar a matriz de transporte rodoviário no Brasil todo”, afirmou.
Para Lustosa, o investimento precisa ser permanente. “Não tem desenvolvimento sem infraestrutura condizente, sem infraestrutura de transporte”, disse. Ele também alertou que, sem logística eficiente no Centro-Oeste, grandes distribuidores podem deixar de ver Brasília como localização competitiva.
Agronegócio
Grass defendeu ainda o fortalecimento da agricultura, da agroindústria e da logística para escoamento da produção.
O presidente da Fape-DF e integrante do sistema Sebrae-DF, Fernando Cezar Ribeiro, destacou a importância econômica do campo e cobrou segurança jurídica.
“Produzir aqui no país, principalmente no agronegócio, é muito difícil”, afirmou. Segundo ele, os produtores que transformaram áreas do DF em terras altamente produtivas precisam de maior reconhecimento. “No Distrito Federal nós somos pequenos em tamanho, mas somos grandes em execução.”
Agência de desenvolvimento
Ao abordar uma proposta apresentada pela Fibra, Grass se mostrou favorável à criação de uma estrutura para atração de investimentos e desenvolvimento econômico.
O presidente da Fibra, Jamal Jorge Bittar, defendeu que esse organismo tenha protagonismo empresarial.
“Quem tem que predominar é o setor produtivo”, declarou. Para Bittar, a participação empresarial deve ir além da consulta. “Quero sempre focar agência de fomento e desenvolvimento, e não é só com a parceria, é com até a liderança executiva do setor produtivo”, afirmou.
Grass afirmou que pretende institucionalizar esse diálogo também por meio de um Conselho de Desenvolvimento Econômico Sustentável, que funcionaria como espaço permanente de discussão entre governo e sociedade.
Anel viário
O presidente da Facidf, Manoel Valdeci Machado, destacou que o setor privado precisa participar permanentemente das decisões.
“O setor produtivo precisa ser ouvido pelo governo. O setor produtivo não pode ser coadjuvante”, afirmou. Na área de mobilidade, cobrou a implantação do anel viário para retirar veículos pesados das áreas urbanas. “Se não fizer o anel viário para tirar o transporte de carga, o transporte pesado, a tendência é realmente complicada.”
Grass encerrou a participação defendendo um “pacto coletivo” entre poder público, empresas e sociedade para recuperar a capacidade econômica de Brasília.
“Não dá para o Brasil ir para a frente, Brasília ir para trás”, afirmou. Para o candidato, a construção de uma economia mais diversificada deverá combinar inovação, sustentabilidade, infraestrutura e diálogo permanente com os setores que geram emprego e renda.
.gif)
.gif)