Paula Belmonte defende fortalecimento do setor produtivo, crédito e desenvolvimento das regiões do DF

Candidata do PSDB afirmou que pretende reduzir entraves ao empreendedorismo; representantes de comércio, indústria, agro e transporte cobraram medidas estruturantes

Foto: Pedro Santos.

A candidata ao Governo do Distrito Federal Paula Belmonte (PSDB) defendeu uma administração com maior participação do setor produtivo, menos burocracia e políticas de crédito, infraestrutura e qualificação profissional durante o Diálogos com o Setor Produtivo, encontro promovido por entidades empresariais do DF.

Ao falar sobre desenvolvimento econômico, Paula colocou o empreendedorismo como um dos principais motores de geração de emprego e renda. “O setor produtivo é a nossa grande chave para mudar o nosso Brasil”, afirmou. Segundo ela, em um eventual governo, empresários terão maior espaço na construção das políticas econômicas. “Como governadora, eu vou dar incentivo aos senhores a conduzirem esse processo de desenvolvimento econômico da nossa cidade.”

Fotos: Pedro Santos.

A candidata também defendeu que as regiões administrativas tenham estratégias próprias de desenvolvimento, levando em consideração as vocações econômicas de cada localidade. A proposta inclui condições de infraestrutura, como água, energia e esgoto, além de escolas técnicas e profissionalizantes.

Na economia criativa, o presidente da Fecomércio-DF, José Aparecido Freire, apresentou à candidata um projeto voltado à transformação do Setor Comercial Sul. “É um projeto de transformar o Setor Comercial Sul em polo de economia criativa e tecnológica do Distrito Federal. É um projeto pronto”, afirmou. A proposta prevê ainda a criação de uma área com funcionamento durante 24 horas. Segundo José Aparecido, a iniciativa poderia movimentar “varejo, bares, restaurantes, enfim, vários setores da economia do Distrito Federal”.

Paula respondeu que pretende aproveitar as vocações econômicas das diferentes regiões e associá-las à oferta de crédito e infraestrutura. Para ela, o pequeno empresário precisa não apenas de financiamento, mas de um Estado que não dificulte a atividade econômica.

Crédito para o pequeno
O acesso ao financiamento foi uma das principais cobranças feitas à candidata. O presidente da CDL-DF, Eduardo Pereira Rodrigues Neto, destacou as dificuldades enfrentadas especialmente pelos pequenos comerciantes.

“O pequeno varejista tem uma dificuldade realmente muito grande em conseguir uma linha de crédito”, afirmou. Segundo Rodrigues Neto, a falta de garantias impede muitos negócios de obter financiamento. “Quem realmente desenvolve, quem realmente produz, quem gera emprego somos nós que estamos aqui, acordando cedo todo dia, na luta”, acrescentou.

Paula defendeu que o BRB assuma papel mais efetivo como banco de desenvolvimento do Distrito Federal e disse que a instituição precisa priorizar a economia brasiliense. A candidata também afirmou que o problema das garantias deve ser considerado na formulação das linhas destinadas aos pequenos empreendedores.

Para o presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae-DF e presidente da Fape-DF, Fernando Cezar Ribeiro, ampliar a presença dos pequenos negócios nas compras públicas também pode estimular a atividade econômica.

“Entre dez empresas, nove são dos pequenos”, afirmou. Ele defendeu a criação de mecanismos para abrir o mercado do próprio governo a esses empreendedores: “A gente tem que criar mecanismo para que essas pessoas possam vender para o governo.”
Transporte e infraestrutura

Na área de mobilidade, Paula defendeu investimentos estruturantes e expansão do transporte público. Segundo a candidata, desenvolvimento econômico depende de condições adequadas para circulação de trabalhadores e mercadorias.

O presidente da Fenatac, Paulo Afonso Lustosa, reforçou a necessidade de investimentos permanentes. “Não há crescimento sustentável sem um investimento maciço em transporte, seja ele de passageiros, seja ele de carga”, afirmou.

Lustosa destacou que a infraestrutura também interfere diretamente na qualidade de vida dos trabalhadores. “Precisamos de uma atenção especial nesse sentido para que tenha desenvolvimento e para que a população também tenha conforto na sua ida e vinda ao trabalho.”

Indústria e autonomia econômica
O presidente da Fibra, Jamal Jorge Bittar, concentrou sua intervenção na necessidade de diversificar a economia do Distrito Federal e ampliar a participação da indústria.

“Não existe sociedade desenvolvida sem indústria desenvolvida. Ponto”, afirmou. Segundo Bittar, o DF precisa reduzir sua dependência de recursos externos e transformar a industrialização em política permanente. “A indústria tem que ser política pública de Estado e não de governo”, defendeu.
Paula concordou com a necessidade de diversificar a atividade econômica e defendeu a criação de uma agência capaz de captar investimentos. Durante a sabatina, disse a Bittar que apoiaria a proposta apresentada pela Fibra e que a presença das embaixadas em Brasília poderia ajudar na atração de recursos externos.

Regiões administrativas e mobilidade
O presidente da Facidf, Manoel Valdeci Machado, também chamou atenção para os impactos do trânsito sobre as atividades empresariais e para a necessidade de integrar melhor as regiões administrativas.

Ao comentar alternativas de mobilidade, Valdeci destacou que facilitar a ligação por transporte de massa entre diferentes áreas da cidade teria efeito direto sobre os negócios. “É fácil fazer a interligação. Isso ajudaria muito o setor produtivo”, afirmou.

Para Paula, a descentralização do desenvolvimento é justamente uma das maneiras de enfrentar parte do problema de mobilidade. A candidata sustenta que emprego, serviços e oportunidades precisam estar mais próximos dos locais onde a população vive.

Ao final da participação, a candidata voltou a relacionar desenvolvimento econômico à qualidade dos serviços públicos. Defendeu educação de qualidade, funcionamento das unidades básicas de saúde e gestão mais eficiente dos recursos públicos.

“Não adianta falar do setor produtivo se a gente não começar a falar de cidadania”, afirmou. Para Paula, o objetivo de um eventual governo seria combinar ambiente favorável aos negócios, infraestrutura e políticas sociais para ampliar a autonomia econômica do Distrito Federal.

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem
Japan Security