Ana Cláudia de Jesus defende manutenção preventiva, acompanhamento de profissionais habilitados e maior atenção aos primeiros sinais de problemas nas edificações
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Fissuras, infiltrações e outros sinais aparentemente simples podem indicar problemas que exigem avaliação técnica em condomínios. O alerta é da engenheira civil e engenheira de segurança do trabalho Ana Cláudia de Jesus, entrevistada pelo apresentador Paulo Melo no Cidades e Condomínios Podcast.
Com atuação nas áreas de engenharia civil, segurança do trabalho e patologias das construções, Ana Cláudia também é diretora de infraestrutura do Clube de Engenharia de Brasília e presidente da Associação Feminina de Engenharia, Agronomia e Geociências do Distrito Federal (FEAG-DF).
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Durante a entrevista, a engenheira afirmou que um dos principais problemas encontrados na manutenção de condomínios começa antes mesmo da execução do serviço: no diagnóstico. “O erro inicia simplesmente por um diagnóstico errado.”
Segundo Ana Cláudia, é comum que o responsável pelo condomínio tente solucionar a situação recorrendo inicialmente a profissionais que estão mais próximos, sem buscar uma avaliação de engenharia. “Normalmente, o síndico entende que consegue resolver, chama o profissional que está mais próximo dele, que é um pedreiro, algo parecido, e não pega a opinião técnica do engenheiro. Aí é onde começam todos os problemas.”
Fissuras e infiltrações exigem atenção
Entre os sinais que não devem ser ignorados estão fissuras e infiltrações. Na avaliação da engenheira, ao identificar esse tipo de manifestação, o condomínio deve buscar orientação profissional e evitar adiar a solução. “Uma simples fissura, uma simples infiltração, já é um grande sinal, porque o problema está todo ali dentro.”
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Ana Cláudia também chama atenção para a ideia de que infiltrações seriam apenas um problema visual. Segundo ela, dependendo da situação, a presença contínua de água pode afetar elementos da construção e levar a intervenções de maior porte. “Ele não é só estético, porque ele está corroendo todas as ferragens que estão ali.”
Questionada sobre o tamanho do prejuízo que um problema desse tipo pode provocar, ela acrescentou: “Até um reforço estrutural. Ele chega numa magnitude que você muitas vezes intervém com reforço estrutural.”
Prevenir custa menos do que enfrentar uma emergência
A engenheira afirma que, em sua experiência profissional, ainda é comum ser chamada quando o problema já está instalado. “Normalmente, quando eu chego, já está o problema. É muito raro que eu entre no condomínio e esteja sem nenhum problema.”
Para explicar a importância da manutenção preventiva, Ana Cláudia compara os cuidados com um edifício à manutenção de um automóvel. “Se você leva a manutenção do seu carro em dias, dificilmente vai aparecer um problema grave. São problemas pequenos que aparecem e você consegue gastar menos.”
Outro ponto destacado é o risco de simplesmente esconder manifestações como manchas e fissuras. De acordo com a engenheira, pintar uma área afetada ou mascarar uma fissura não significa necessariamente eliminar a origem do problema.
A recomendação aos síndicos é procurar profissionais habilitados sempre que houver indícios de anormalidades na edificação. “Na menor desconfiança, uma fissura, uma infiltração, contrate um profissional habilitado.”
Laudo técnico pode ajudar a evitar conflitos
A entrevista também abordou a importância das inspeções e dos laudos técnicos. Para Ana Cláudia, a documentação produzida por profissional habilitado pode oferecer respaldo às partes envolvidas. “Um laudo bem feito, ele respalda a todos envolvidos.”
Ela também alertou para os riscos da contratação de pessoas sem qualificação técnica para intervenções que possam afetar uma edificação. “Se ele não tem habilidade técnica, o prejuízo vai ser muito grande lá na frente para o condomínio e para o síndico.”
No bate-bola realizado ao final do programa, a engenheira resumiu sua posição sobre manutenção: diante da escolha entre prevenir ou consertar, respondeu “prevenir sempre”. Quando perguntada sobre o maior aliado de um síndico, foi igualmente direta: “O engenheiro.”
Engenharia, cidades e qualidade de vida
Além dos condomínios, Ana Cláudia falou sobre infraestrutura urbana, mobilidade e sustentabilidade. Para ela, o trânsito está entre os desafios enfrentados pelas cidades e há necessidade de avançar em transporte público, energias renováveis e ciclovias.
Ao falar sobre conservação urbana, defendeu também a participação dos moradores. “Ele tem que fazer a prevenção, ele tem que cuidar da sua cidade como ele cuida da sua casa.”
A engenheira relaciona essa visão à própria maneira de compreender a profissão. Questionada sobre o que a engenharia representa em sua vida, respondeu: “Ela representa tudo. Ela é a que me faz me sentir viva.”
Mulheres ainda enfrentam preconceito na engenharia
Outro tema da entrevista foi a presença feminina na engenharia. Presidente da FEAG-DF, Ana Cláudia afirmou que as mulheres ainda precisam superar barreiras no ambiente profissional. “Nós enfrentamos o famoso preconceito, então cada vez mais estamos nos capacitando, provando que somos capazes e a cada dia vencemos uma barreira a mais.”
Ela relatou, inclusive, situações em que clientes demonstraram dúvidas sobre sua capacidade profissional por ser mulher. Em um dos casos lembrados durante a entrevista, um cliente associou suas unhas bem cuidadas à possibilidade de ela não conseguir executar adequadamente o trabalho.
Para Ana Cláudia, características pessoais não determinam a capacidade técnica de uma profissional.
Ao deixar uma mensagem para jovens interessadas em seguir carreira na engenharia civil, destacou dedicação e responsabilidade. “Pense na responsabilidade que você está assumindo, que é com as pessoas, com a vida das pessoas, e que você siga o seu sonho em frente.”
No encerramento, Ana Cláudia afirmou que deseja deixar como legado o conhecimento adquirido ao longo da carreira e contribuir para ampliar a conscientização sobre os cuidados necessários com as edificações. “Esse é o legado que eu gostaria de deixar: a conscientização de como cuidar das estruturas.”
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Fissuras, infiltrações e outros sinais aparentemente simples podem indicar problemas que exigem avaliação técnica em condomínios. O alerta é da engenheira civil e engenheira de segurança do trabalho Ana Cláudia de Jesus, entrevistada pelo apresentador Paulo Melo no Cidades e Condomínios Podcast.
Com atuação nas áreas de engenharia civil, segurança do trabalho e patologias das construções, Ana Cláudia também é diretora de infraestrutura do Clube de Engenharia de Brasília e presidente da Associação Feminina de Engenharia, Agronomia e Geociências do Distrito Federal (FEAG-DF).
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Durante a entrevista, a engenheira afirmou que um dos principais problemas encontrados na manutenção de condomínios começa antes mesmo da execução do serviço: no diagnóstico. “O erro inicia simplesmente por um diagnóstico errado.”
Segundo Ana Cláudia, é comum que o responsável pelo condomínio tente solucionar a situação recorrendo inicialmente a profissionais que estão mais próximos, sem buscar uma avaliação de engenharia. “Normalmente, o síndico entende que consegue resolver, chama o profissional que está mais próximo dele, que é um pedreiro, algo parecido, e não pega a opinião técnica do engenheiro. Aí é onde começam todos os problemas.”
Fissuras e infiltrações exigem atenção
Entre os sinais que não devem ser ignorados estão fissuras e infiltrações. Na avaliação da engenheira, ao identificar esse tipo de manifestação, o condomínio deve buscar orientação profissional e evitar adiar a solução. “Uma simples fissura, uma simples infiltração, já é um grande sinal, porque o problema está todo ali dentro.”
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Ana Cláudia também chama atenção para a ideia de que infiltrações seriam apenas um problema visual. Segundo ela, dependendo da situação, a presença contínua de água pode afetar elementos da construção e levar a intervenções de maior porte. “Ele não é só estético, porque ele está corroendo todas as ferragens que estão ali.”
Questionada sobre o tamanho do prejuízo que um problema desse tipo pode provocar, ela acrescentou: “Até um reforço estrutural. Ele chega numa magnitude que você muitas vezes intervém com reforço estrutural.”
Prevenir custa menos do que enfrentar uma emergência
A engenheira afirma que, em sua experiência profissional, ainda é comum ser chamada quando o problema já está instalado. “Normalmente, quando eu chego, já está o problema. É muito raro que eu entre no condomínio e esteja sem nenhum problema.”
Para explicar a importância da manutenção preventiva, Ana Cláudia compara os cuidados com um edifício à manutenção de um automóvel. “Se você leva a manutenção do seu carro em dias, dificilmente vai aparecer um problema grave. São problemas pequenos que aparecem e você consegue gastar menos.”
Outro ponto destacado é o risco de simplesmente esconder manifestações como manchas e fissuras. De acordo com a engenheira, pintar uma área afetada ou mascarar uma fissura não significa necessariamente eliminar a origem do problema.
A recomendação aos síndicos é procurar profissionais habilitados sempre que houver indícios de anormalidades na edificação. “Na menor desconfiança, uma fissura, uma infiltração, contrate um profissional habilitado.”
Laudo técnico pode ajudar a evitar conflitos
A entrevista também abordou a importância das inspeções e dos laudos técnicos. Para Ana Cláudia, a documentação produzida por profissional habilitado pode oferecer respaldo às partes envolvidas. “Um laudo bem feito, ele respalda a todos envolvidos.”
Ela também alertou para os riscos da contratação de pessoas sem qualificação técnica para intervenções que possam afetar uma edificação. “Se ele não tem habilidade técnica, o prejuízo vai ser muito grande lá na frente para o condomínio e para o síndico.”
No bate-bola realizado ao final do programa, a engenheira resumiu sua posição sobre manutenção: diante da escolha entre prevenir ou consertar, respondeu “prevenir sempre”. Quando perguntada sobre o maior aliado de um síndico, foi igualmente direta: “O engenheiro.”
Engenharia, cidades e qualidade de vida
Além dos condomínios, Ana Cláudia falou sobre infraestrutura urbana, mobilidade e sustentabilidade. Para ela, o trânsito está entre os desafios enfrentados pelas cidades e há necessidade de avançar em transporte público, energias renováveis e ciclovias.
Ao falar sobre conservação urbana, defendeu também a participação dos moradores. “Ele tem que fazer a prevenção, ele tem que cuidar da sua cidade como ele cuida da sua casa.”
A engenheira relaciona essa visão à própria maneira de compreender a profissão. Questionada sobre o que a engenharia representa em sua vida, respondeu: “Ela representa tudo. Ela é a que me faz me sentir viva.”
Mulheres ainda enfrentam preconceito na engenharia
Outro tema da entrevista foi a presença feminina na engenharia. Presidente da FEAG-DF, Ana Cláudia afirmou que as mulheres ainda precisam superar barreiras no ambiente profissional. “Nós enfrentamos o famoso preconceito, então cada vez mais estamos nos capacitando, provando que somos capazes e a cada dia vencemos uma barreira a mais.”
Ela relatou, inclusive, situações em que clientes demonstraram dúvidas sobre sua capacidade profissional por ser mulher. Em um dos casos lembrados durante a entrevista, um cliente associou suas unhas bem cuidadas à possibilidade de ela não conseguir executar adequadamente o trabalho.
Para Ana Cláudia, características pessoais não determinam a capacidade técnica de uma profissional.
Ao deixar uma mensagem para jovens interessadas em seguir carreira na engenharia civil, destacou dedicação e responsabilidade. “Pense na responsabilidade que você está assumindo, que é com as pessoas, com a vida das pessoas, e que você siga o seu sonho em frente.”
No encerramento, Ana Cláudia afirmou que deseja deixar como legado o conhecimento adquirido ao longo da carreira e contribuir para ampliar a conscientização sobre os cuidados necessários com as edificações. “Esse é o legado que eu gostaria de deixar: a conscientização de como cuidar das estruturas.”
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