João Teodoro defende evolução tecnológica sem abandono dos valores essenciais

Presidente do Sistema Cofeci-Creci destaca que inovação deve caminhar ao lado da confiança, do atendimento e da valorização humana


Em um cenário marcado pelo avanço acelerado da tecnologia e pela crescente presença da inteligência artificial nas atividades profissionais, o presidente do Sistema Cofeci-Creci, João Teodoro da Silva, defende que inovar não significa abandonar princípios que continuam fundamentais para empresas, instituições e profissionais.

Fotos: Renato Oliveira.

Em reflexão publicada em 19 de setembro de 2026, João Teodoro estabelece um paralelo entre duas invenções de épocas distintas: a internet, símbolo da transformação tecnológica contemporânea, e o lápis, objeto secular que atravessou gerações mantendo praticamente intacta sua finalidade.

A internet teve suas origens na ARPANET, rede desenvolvida a partir de iniciativas da agência norte-americana ARPA e que se tornou um dos principais marcos da comunicação digital. Décadas depois, a tecnologia passou a ocupar posição central na sociedade e transformou profundamente a maneira como pessoas, empresas e instituições se relacionam.

O lápis seguiu outro caminho. Embora tenha recebido aperfeiçoamentos ao longo dos séculos, preservou sua função essencial. Para João Teodoro, essa permanência ajuda a ilustrar um princípio importante para organizações que enfrentam o desafio da modernização: nem tudo precisa ser substituído para evoluir.

O básico continua fazendo diferença
Segundo o presidente do Sistema Cofeci-Creci, o fascínio pelas novidades pode fazer com que organizações e profissionais deixem em segundo plano práticas elementares que continuam determinantes para bons resultados.

Atendimento de qualidade, respeito, clareza, confiança e previsibilidade permanecem entre os atributos valorizados nas relações profissionais, mesmo diante de ferramentas cada vez mais sofisticadas.

A mesma lógica se aplica à inteligência artificial. Na avaliação apresentada por João Teodoro, discutir tecnologias avançadas perde parte de seu sentido quando uma organização ainda enfrenta problemas básicos de comunicação, escuta e alinhamento entre as pessoas.

A tecnologia, portanto, deve funcionar como instrumento de evolução, e não como substituta das relações humanas ou dos fundamentos que sustentam uma atividade profissional.

Inovar sem destruir a cultura
Para João Teodoro, organizações maduras são aquelas capazes de incorporar novas ferramentas e processos sem romper com os valores que construíram sua identidade.

O desafio está em identificar o que precisa ser transformado e, ao mesmo tempo, reconhecer aquilo que deve ser preservado. Assim como o lápis ganhou melhorias de ergonomia e sustentabilidade sem perder sua finalidade, empresas e instituições podem modernizar processos mantendo princípios essenciais.

Essa visão também se aplica ao mercado imobiliário, cada vez mais impactado por plataformas digitais, automação, análise de dados e inteligência artificial.

Para o presidente do Sistema Cofeci-Creci, acompanhar essa evolução é necessário, mas ela deve estar associada à excelência profissional e à valorização das pessoas.
Tecnologia e humanidade no mercado imobiliário

No âmbito das autarquias de fiscalização profissional, João Teodoro ressalta que a evolução tecnológica deve contribuir para o objetivo maior de oferecer segurança à sociedade.

Nesse processo, o Sistema Cofeci-Creci busca modernizar suas estruturas e práticas sem deixar de considerar os profissionais que sustentam e dão sentido à atividade imobiliária.

A mensagem central é que inovação e tradição não precisam ocupar lados opostos. A tecnologia pode acelerar processos, ampliar possibilidades e transformar mercados, enquanto valores como confiança, verdade, respeito e responsabilidade permanecem fundamentais.

Em um ambiente profissional cada vez mais digital, o diferencial pode estar justamente na capacidade de combinar as ferramentas do futuro com princípios que resistiram ao tempo.

Para João Teodoro, evoluir é avançar sem perder de vista aquilo que sustenta a profissão: o básico bem feito, a confiança nas relações e a dimensão humana por trás da tecnologia.

*João Teodoro da Silva é presidente do Sistema Cofeci-Creci e neurocientista comportamental. O texto foi elaborado a partir de reflexão de sua autoria publicada em 19 de setembro de 2026.

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