Em entrevista exclusiva cantor fala sobre novo projeto com pot-pourris, próxima etapa do Surfnejo e releituras dos sucessos que marcaram sua carreira
Mais de uma década depois de alcançar projeção nacional com “Eu Quero Tchu, Eu Quero Tcha”, Marcelo Martins prepara uma nova fase da carreira. O cantor trabalha em um disco formado por pot-pourris de sertanejo raiz e mantém o Surfnejo como uma das frentes de seus próximos lançamentos. Ao mesmo tempo, revisita músicas que marcaram sua trajetória e apresenta novas versões para o público das plataformas digitais. Em entrevista exclusiva, Marcelo afirma que os projetos representam diferentes partes de sua formação musical.
“Não quero escolher entre o Marcelo do modão, o Marcelo do Tchu Tcha Tcha e o Marcelo do Surfnejo”, afirma o cantor. “Todas essas fases fazem parte da minha história e daquilo que eu sou musicalmente.” Segundo ele, a nova etapa permite organizar essas referências em projetos com identidades próprias. “Hoje tenho liberdade para mostrar lados que talvez parte do público ainda não conheça.”
Disco recupera repertório do sertanejo raiz
O novo disco tem como ponto de partida clássicos do sertanejo reunidos em pot-pourris. O repertório completo ainda passa por definição, mas Marcelo pretende priorizar músicas que permanecem conhecidas por diferentes gerações. A escolha também recupera um formato tradicional do gênero, no qual duas ou mais composições aparecem conectadas dentro da mesma faixa. Para o cantor, a proposta representa um reencontro com referências que antecedem a fase de maior projeção nacional da carreira.
“Antes de qualquer sucesso que tive, eu já escutava sertanejo raiz”, conta Marcelo. “Essas músicas estavam presentes muito antes de eu subir nos grandes palcos e continuam presentes até hoje.” Ele afirma que a escolha não significa uma tentativa de reproduzir gravações antigas. “Quero respeitar a história dessas canções, mas também colocar nelas a minha interpretação.”
O movimento também não representa a primeira aproximação do artista com o modão. Em 2021, Marcelo lançou “In Live 2 (Modões)”, projeto voltado ao repertório tradicional do sertanejo. O novo trabalho, porém, surge em outra fase da carreira e terá uma proposta mais definida em torno dos pot-pourris. A intenção é transformar o repertório de raiz em uma frente permanente dos próximos projetos.
“Existem músicas que você começa a cantar e as pessoas terminam junto com você”, afirma. “Isso acontece porque elas passaram de pai para filho e, em muitos casos, já chegaram aos netos.” Marcelo diz que pretende buscar justamente esse tipo de composição na seleção do novo disco. “São músicas que não dependem apenas da época em que foram lançadas.”
Surfnejo continua e terá nova etapa
Ao mesmo tempo em que prepara o disco de sertanejo raiz, Marcelo mantém o Surfnejo em desenvolvimento. O projeto não termina com o próximo single e deverá receber novas músicas depois do lançamento. A proposta funciona como espaço para experimentações dentro do sertanejo e permite ao cantor trabalhar referências diferentes daquelas presentes no disco de modões. “Reconectar” e “Cidade de Ouro” estão entre as faixas que ajudam a estabelecer essa identidade.
“O Surfnejo não é um projeto com data para acabar”, explica Marcelo. “Ele nasceu como uma forma de experimentar, testar ideias e cantar coisas que combinam com outro momento da minha música.” O cantor confirma que uma nova faixa já integra os próximos passos do projeto. “É mais uma etapa, não um encerramento.”
“Reconectar” apresenta uma das primeiras manifestações do conceito e trabalha temas ligados às relações humanas. Depois, “Cidade de Ouro” amplia a proposta e mantém elementos associados a liberdade, deslocamento e novas paisagens sonoras. As duas faixas também ajudam a separar o Surfnejo da proposta tradicional do novo disco. Para Marcelo, essa diferença é justamente um dos pontos que permite a coexistência entre os projetos.
“Posso entrar no estúdio para cantar um modão e depois trabalhar uma música completamente diferente no Surfnejo”, afirma. “Uma coisa não anula a outra e eu não vejo motivo para limitar a carreira a uma única sonoridade.” Ele compara o processo às diferentes referências que escuta fora dos palcos. “O artista também muda, pesquisa e encontra novas formas de contar histórias.”
Sucessos ganham novas versões
Outra frente da carreira aparece na recuperação do próprio catálogo. Nos últimos anos, Marcelo apresenta novas versões de músicas associadas à fase de João Lucas & Marcelo. “Louca Louquinha”, “Joga o Copo pro Alto” e “Eu Quero Tchu, Eu Quero Tcha” estão entre os sucessos que recebem releituras. “Musa” também retorna ao repertório em uma nova gravação.
Marcelo afirma que não pretende se afastar das músicas responsáveis por sua projeção nacional. “Tenho orgulho dos sucessos que construíram minha história e seria estranho tentar fingir que eles não existem”, diz. Segundo ele, as releituras funcionam como uma maneira de apresentar esse repertório a públicos que chegam agora às plataformas. “A música continua sendo a mesma na memória das pessoas, mas pode ganhar outra leitura na produção.”
“Tchu Tcha Tcha” permanece como marco da carreira
“Eu Quero Tchu, Eu Quero Tcha” coloca João Lucas & Marcelo no centro da expansão do sertanejo universitário no início da década de 2010. A música ultrapassa as rádios do gênero, chega à televisão, às festas e também ao futebol. O hit passa a fazer parte da cultura popular daquele período e permanece como uma das faixas mais associadas ao nome de Marcelo. Mais de uma década depois, o cantor trata esse capítulo como ponto de partida, e não como limite da carreira.
“O Tchu Tcha Tcha mudou a minha vida e abriu portas que eu talvez nunca imaginasse que fossem se abrir”, afirma Marcelo. “Não existe nenhuma vontade de apagar aquilo que aconteceu.” Para ele, o desafio aparece justamente depois de um sucesso de grande alcance. “Você precisa respeitar o que construiu e, ao mesmo tempo, continuar mostrando que ainda tem outras histórias para contar.”
A relação do repertório com o futebol também reaparece em diferentes momentos. O sucesso original ganha força adicional após circular em comemorações de jogadores e se torna associado a uma época específica do esporte brasileiro. Anos depois, Marcelo recupera essa ligação ao criar “Eu Quero Ney, Eu Quero Já”, versão relacionada ao retorno de Neymar ao Santos. O episódio mostra como determinadas músicas da carreira ultrapassam o espaço tradicional do sertanejo.
Entre passado e próximos lançamentos
O atual momento de Marcelo reúne, portanto, três movimentos paralelos. O primeiro recupera a tradição do sertanejo por meio do novo disco de pot-pourris. O segundo mantém o Surfnejo aberto a novas músicas e experiências sonoras. O terceiro leva de volta às plataformas sucessos que ajudam a contar a história do cantor.
“Não vejo isso como uma mudança de direção, mas como uma ampliação”, resume Marcelo. “Eu vivi momentos diferentes do sertanejo e todos eles deixaram alguma coisa na minha formação.” O cantor afirma que pretende manter essa diversidade nos próximos lançamentos. “Quero que quem conhece apenas uma fase consiga descobrir as outras também.”
O novo disco ainda não tem repertório completo nem data de lançamento anunciados. A próxima música do Surfnejo também permanece sem título divulgado oficialmente. Marcelo, no entanto, confirma que as duas frentes avançam paralelamente e devem ocupar os próximos passos de sua carreira. Entre o modão, os hits e as novas experiências, o artista busca transformar a própria trajetória em ponto de partida para uma nova sequência de trabalhos.
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